[TURMA I] COM OS PÉS NO CHÃO

Posted by: on jan 28, 2010 | 2 Comments

Como parte fundamental do processo de educação, Orbitato oferece a seus alunos uma oportunidade única: o contato com profissionais e professores expressivos, que além de ensinar, atuam no mercado dirigindo projetos, equipes, iniciativas de criação. Mais do que oferecer um curso, disponibilizamos aos nossos estudantes a oportunidade de revelar suas habilidades e interesses. Cada disciplina deste curso despertou vontades individuais, que resultaram em diversas experiências de Criação.
Como exemplo, no final de 2009, concluímos aqui a disciplina de Criação e Desenvolvimento de Produtos – Calçados, do professor Luíz Fernando Campanella. Depois das aulas e do programa cumprido, LEILA HORT, TÂNISE CREUZ, SYLVIA CASAGRANDE E FLÁVIA VANELLI alunas da Turma I, da Pós Graduação em Criação e Desenvolvimentos de Produtos para Moda e Design aqui do Orbitato, iniciaram paralelamente um projeto coletivo para criar/vestir/abrigar os pés, com um mergulho intenso em suas próprias origens.
Orientadas pelo professor Luiz Fernando Campanella, que prontamente se animou em levar as experiências para além da sala de aula, o trabalho começou imediatamente. As alunas iniciaram o ano de 2010 trabalhando muito e organizando toda a criação e pesquisa. Sylvia foi a representante da equipe, que ainda durante as férias, teve a tarefa de levar o material ao professor, em São Paulo, e conferir as possibilidades de execução dos calçados.
A aluna, que já desenvolve sua monografia final sobre este ramo, foi recebida pelo professor Luiz Fernando Campanella e além de debater o andamento do projeto da equipe, teve o privilégio de acompanhá-lo no seu trabalho à frente da criação da Ferri Couros, empresa dirigida por ele, em SP. Depois de uma semana alinhando a coleção ao lado do professor, uma novidade chegou até nós através de um e-mail entusiasmado:


“Estou recebendo a Sylvia em nossa empresa, e junto com meu trabalho pedagógico desenvolvendo o projeto que iniciamos no Orbitato.

A Sylvia é um exemplo de dedicação e interesse, a presença dela tem sido muito gratificante, o olhar atento abre oportunidades.
Bom, resumindo…..vamos abraçar o projeto do grupo e o dela, desta maneira convidamos a Sylvia a fazer um estagio de um mês auxiliando-a no desenvolvimento dos trabalhos, em contrapartida ela nos auxiliará no “briefing” da coleção de verão que se inicia, vai participar das reuniões e estruturação da nova coleção”. Daqui acompanhamos torcendo para que tudo dê imensamente certo.”

L.F. Campanella

Como tudo na vida depende apenas de vontade e interesse pessoal, Sylvia fica em São Paulo aprendendo a fazer sapatos, a equipe, continua trabalhando na finalização do projeto, o Orbitato, servindo de ponto de encontro para concretizar interesses e transformar iniciativas em realidades.

DEDICAÇÃO PREMIADA

Posted by: on dez 20, 2009 | No Comments

Em meados de 2009 Orbitato e Altenburg se associaram numa relação Empresa/Escola. Os alunos Nestor Júnior, Najla Hishmeh, Kátya Floriani, Liessa Pereira, Beatriz Neermann e Sylvia Schroeder dos Cursos de Pós Graduação em Criação e Desenvolvimento de Produto e Moda, realizada pela Orbitato em parceria com a UNERJ, trabalharam uma coleção de estampas para a Linha Vida & Cor, coordenados pela gerente de produtos da empresa, Nilma Maria Gilli e pela diretora do Instituto, Celaine Refosco.

Pela qualidade e profundidade da pesquisa e propostas apresentadas semana passada, a Altenburg decidiu dar continuidade ao relacionamento, e consolida a parceria oferecendo à equipe Orbitato uma preciosa oportunidade para conhecer melhor o segmento cama mesa e banho. Flávia Vanelli, designer gráfica da Orbitato, acompanhará em janeiro o grupo da Altenburg para a HEIMTEXTIL , importante feira do setor, que acontece em Frankfurt.

Flávia, que organizou a apresentação das propostas realizadas pelos alunos, viajará para Alemanha em janeiro. Ela continuará responsável pelo aspecto gráfico nos trabalhos futuros desta parceria. E com visão amplificada, do segmento cama/mesa/banho certamente, e de tudo mais que uma viagem pode ensinar.

Veja o site do evento.

[Turma I] APOIO DA RENAUXVIEW

Posted by: on dez 17, 2009 | One Comment

APOIO DA RENAUXVIEW

por Leila Hort e Tanise Creuz.

Durante as aulas de Desenvolvimento de Produto – Vestuário, o professor
e estilista Ronaldo Fraga propôs o desenvolvimento de coleção a partir do documentário “Janelas da Alma”.

E, por se tratar de um passo significativo no desenvolvimento e na construção da identidade criativa, a coleção desenvolvida será tema do trabalho de conclusão de curso das alunas Tanise Creuz e Leila Hort. Dois trabalhos com visões particulares. Surgidos a partir do mesmo tema e que passaram por processos semelhantes de concepção, mas com resultados bastante diferentes.

A coleção “Janelas” de Tanise Creuz propõe um olhar além do que se pode ver. Enquanto a coleção “Jardins” de Leila Hort revela as imagens guardadas na memória de um personagem real que não usa mais o olho como janela e conexão com o mundo.

A RenauxView com sua variada linha de produtos, oferece opções com identificação com as coleções desenvolvidas pelas alunas. Em busca de apoio para a confecção das peças, o Instituto Orbitato promoveu a aproximação das alunas com a empresa, à partir de uma solicitação das mesmas com a apresentação de um projeto bem fundamentado.

Elas apresentaram seus projetos e a empresa aceitou apoiá-las com os tecidos para a confecção dos principais looks das coleções.

No último dia 23 de novembro, Tanise e Leila estiveram na RenauxView para uma visitação à fábrica. E tiveram acesso a sala de atelier da empresa onde puderam fazer a seleção dos tecidos. Toda a visita contou com o apoio da equipe de profissionais de várias áreas da empresa.

“MaravilhadaS! Foi assim que saímos da visita que fizemos à RenauxView.
Da recepção à produção, em todos os momentos que estivemos lá, o ambiente foi de um profissionalismo irretocável e uma amabilidade contagiante.

Conhecer todo o processo de transformação do fardo de algodão em tecidos de diferentes cores e texturas, ampliou a compreensão do universo de possibilidades de que dispõe o criador e confirmou a necessidade e a importância do trabalho em equipe bem harmonizado de todos os envolvidos no processo.

“Loja de Tecidos” foi o nome dado por Ronaldo Fraga a uma de suas coleções. Estar na sala de atelier da RenauxView, passeando entre as muitas prateleira de tecidos, impregnada de sensações táteis e visuais, que saltavam dos rolos de tecido, me fez sentir criança em loja de brinquedo e compreender ainda mais a magia que envolve a seleção de tecidos. É impossível sair de lá sem vontade de criar, criar, criar…” – Tanise Creuz

“Para o criador, todo o processo de construção de uma ideia é bastante envolvente. Dá prazer, é estimulante e apaixonante. Mas é no processo de seleção de materiais que a possibilidade de concretude e realização da ideia estão ainda mais fortes.E é nisso que reside o desejo do criador, realizar:
Nas nossas coleções, tão autorais e que certamente contam um pouco do que somos, a emoção é um dos grandes ingredientes.

Poder contar com uma empresa como a RenauxView neste processo é realmente um grande privilégio. Um privilégio por todo o histórico da empresa, pelos profissionais que nos atenderam, pela qualidade das linhas de produtos e pela lista de estilistas renomados que utilizam seus tecidos. Muitos dos que mais admiramos. Não dá para esconder que estamos muito felizes.” – Leila Hort

[TURMA I] TEXTO DA PROFESSORA TANIA NUSSNER – MET. DO ENSINO SUPERIOR

Posted by: on dez 15, 2009 | No Comments

Orbitato: Que lugar é esse?

Tânia Mara Nüssner

Por muito tempo se acreditou que uma instituição de ensino e aprendizagem profissional fosse um lugar para dar instrução, qualificação e até um diploma, para preparar para a vida (sic)… Nesse tempo, ninguém estava feliz: os alunos não reconheciam esse lugar como um espaço e um tempo próprios, alguns acreditavam que os professores eram os responsáveis pelos resultados acadêmicos alcançados e, os professores, cercados pelas dificuldades próprias do processo de ensino, envolviam-se, especificamente, com suas matérias. Nesse tempo, estas instituições eram consideradas um andaime que possibilitava ascensão social, melhoria de vida e a promessa de um emprego melhor. Melhor não discutir estes conceitos…

Por outro tempo, acreditou-se que estas instituições fossem democráticas, que o acesso a todos estaria garantido e que, com educação, o país “iria para frente”. Mas, vieram as desistências, repetências, expulsões, evasões e, sobretudo, marcas pessoais de fracasso… e que marcas! Até hoje, para muitos, não ficou claro se a responsabilidade desse fracasso era do próprio aluno, que não se esforçava o suficiente; dos conteúdos que ali circulavam sem que se soubesse para quê; dos professores, que não ensinavam; da instituição, que não previa solidariedade; dos regulamentos pautados em uma igualdade que não existe ou; das autoridades, que não se interessam realmente pelo ensino e pela educação de todos. Nesse tempo, pouca gente sabia a quem servia o conhecimento ensinado/transmitido nas instituições…

E, hoje, que tempo vivemos? Como estão as instituições que preparam e formam os profissionais atuais? Que lugar elas ocupam? É difícil generalizar o que está acontecendo hoje, estamos fazendo a história, no entanto, encontrei um lugar que não prepara profissionais para a vida, a Orbitato é a própria vida. Não é preparação para o exercício da cidadania e para o trabalho, é o próprio trabalho e um exercício de cidadania. Por quê? Porque ajuda a construir uma sociedade mais responsável, justa e solidária, valorizando a ética e a cidadania, conhecendo e identificando os principais problemas do nosso país e do mundo. Porque exercita a habilidade de ouvir e formular proposições, tomando contato com diferentes pontos de vista e com a realidade atual e estimula o envolvimento dos alunos com a comunidade, viabilizando diferentes produções e criações, trabalhos sociais e projetos comunitários.

A Orbitato é um lugar de saber, de conviver, de aprender e de ensinar, de ser e de vir a ser, através da alternância entre a fala e a escuta, para o alcance de uma “melhor” compreensão humana. Não é uma invenção teórica ou uma pregação, é um espaço real, feito de/com “gente grande” e que ocupa um lugar na engrenagem social da nossa região capaz de discutir, refletir, (re) construir e (re) estruturar nossa sociedade. Por isso, é o lugar onde se estuda, onde circulam informações, conhecimentos e saberes relacionados à matemática, às línguas, às artes, à literatura, às ciências, à história, à geografia, e sobretudo, à condição humana.

[TURMA I] METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR

Posted by: on dez 4, 2009 | No Comments

As disciplinas do nosso curso de pós-graduação chegaram ao fim. Depois de contextualizados os conceitos relativos à natureza da criação e desenvolvimento de produtos para moda design, percorrendo a história, a arte, a cultura, a arquitetura. Depois de tanto feito a última disciplina do nosso curso, Metodologia do Ensino Superior, trouxe a possibilidade de organizarmos o complexo domínio dos conhecimentos indo além do próprio exercício do processo criador, abrindo passagem para as possibilidades de pensar este contexto didaticamente. Pensar como ensinar.

Nossa turma é composta por profissionais formados em áreas distintas, Arquitetura, Moda, Design, Tecnologia Têxtil, História, Artes, com diferentes formas de atuações no mercado de trabalho, desde ateliês, pequenos negócios, até importantes indústrias. Alguns de nós também já atuávamos como professores em universidades da região, outros, passaram a ensinar no decorrer do curso, e muitos tem como intenção transformar-se em professores.

Entendendo a importância de uma educação coerente e atenta as necessidades contemporâneas contamos com os saberes da professora Tânia Nüssner para dar sentido a esta proposta. Durante as aulas Tânia nos possibilitou vivenciarmos a realidade da educação atual, entendendo a escola que viemos e a escola que pretendemos participar, compreendendo que quando não estamos certos de nossa postura de atuação, seguimos repetindo erros padronizados, ultrapassados, inaceitáveis na condição do processo de educação. Tivemos aqui, a oportunidade de nos apresentar professores, ensinado, planejando coletivamente, porque o fazer na educação é sempre coletivo.

Nestes encontros entendemos que a relação ensino-aprendizagem envolve também conhecer, apreciar e refletir. Envolve dedicação, esforço, firmeza, paciência, auto avaliação. Envolve estar atentamente ligado na correlação com os processos criativos também no campo da educação definido bases para reconhecer e distinguir conceitos de um posicionamento crítico e coerente aos processos de ensino e de planejamento. Daqui, seguimos nos ensinando a aprender e a ensinar, sempre!

Agora, aproveitamos meses de “férias” dedicados a nossas monografias e trabalhos finais, março de 2010, com o diploma na mão, seguiremos conquistando o mundo!

[TURMA I] INTERFACE COM A ARQUITETURA

Posted by: on dez 4, 2009 | No Comments

[TURMA I] INTERFACE COM  A ARQUITETURA

Com intenção multidisciplinar chegamos ao final de nosso curso compreendendo os diversos aspectos do processo de criação, além disso, pudemos nos convencer do quanto cada “instrumento novo” modifica radicalmente determinados conhecimentos pré-definidos, processos ou visões viciadas. Principalmente quando esta se estabelece através do intercambio de experiências e informações por um método novo e significativamente mais abrangente na interação com os demais processos que identificam o processo criativo, assim foi como nos relacionamos com a disciplina Interface com a Arquitetura, ministradas pelos professores Christian Krambeck e Daniela Pareja nos dias 30 e 31 de outubro de 2009.

A disciplina tem como objetivo fechar o ciclo que envolve os debates entre Moda, Design, Arte, Memória, Criação, ela nos proporcionou compreender as relações entre o corpo e o espaço a partir de seu processo individual e entender como sua ação projetual se insere e interfere no espaço, construindo respostas coerentes diante das necessidades e expectativas do século XXI.

Com a mediação dos professores tivemos a oportunidade de resgatar conceitos do espírito do lugar, do tempo, em meio as relações tumultuadas que envolvem a contemporaneidade, tivemos a oportunidade de compreender processos históricos, sociais, culturais e de vivências práticas com o espaço. A disciplina veio de encontro a nossa ânsia por identificar novos caminhos, isto é, da capacidade de utilizar pistas para compreender nossa relação com os lugares, o corpo, a memória, a cultura, o desenho.

Para nós, em tudo quanto se relacione com as funções do processo de criação, de crer em algo que fazemos com verdade, cabe registrar todo este processo, todos estes conhecimentos, debates, críticas onde ocorreram as conexões entre as representações do fazer, sejam eles, da moda, do design, da arquitetura ou de qualquer outro processo de criação.

[TURMA I] Cor com Sérgio Gregório

Posted by: on dez 3, 2009 | One Comment

UMA AULA DE INVENTAR COR
por Flávia Vanelli

“A cor apoderou-se de mim: não tenho mais necessidade de persegui-la. Sei que ela me tomou para sempre.” Paul Klee.

 

Baseados nos tons quentes, na vibração cromática da terra, no caule das árvores que dela brotam e nas pedras, Sérgio Gregório nos deu a atrativa idéia de trabalharmos na livre invenção de uma cartela, buscando infinitas possibilidades da cor, libertos de preconceitos e regras acadêmicas. Tarefa que cumprimos com vitalidade emocional.

Uma cor que tenha memória de azul, uma cor com memória de amarelo, outra que lembre vermelho… assim, temos o equilíbrio óptico de cores que nos tanto satisfaz.

Mesmo sem que as pessoas saibam explicar por que gostam ou não de determinado emaranhado de cores, o equilíbrio está na base material desta harmonia.

Uma cartela de cores, do ponto de vista da moda ou do design, pode ser composta por uma única cor, ou por uma quantidade enorme delas, de forma a atender às necessidades de produtos e coleções.

Para construir uma cartela de cores a partir de uma imagem, é necessário identificar a cor “ponto de luz”, a cor “zona de sombra” a “escuro definitivo”, enfim, identificar o amarelo o magenta e o azul, sob as cores terrosas, pastel, as falsas cores…

Outro processo possível é a interpretação de cores e construção de cartela, através de imagens mentais, as “Cores Pensamento”. Isso me faz lembrar a introdução de um filme que recém assisti baseado em um livro de Chico Buarque que inicia dizendo: Budapeste é amarela. Ou uma conversa orbital numa mesa de jantar em que alguém classificou o Uruguai como cinza azulado.

Segundo Sérgio Gregório, não existem cores neutras. Todas elas interferem umas nas outras, sempre se alterando mutuamente, sem neutralidade alguma, as cores são ativas o tempo inteiro. Tem personalidade e acompanham os homens em sua jornada.

Saímos dessa aula com um olhar sensível ao entorno. E para ilustrar essa nova sensibilidade cito os quadros da artista Celaine Refosco, seu domínio de cores e formas da natureza que tanto encantam.

 

Folhagens por Celaine

[TURMA I] Desenvolvimento de Produtos – Calçados

Posted by: on dez 2, 2009 | One Comment

EU QUERO SER DONO DO QUE EU PENSO

Design não se faz em tempo curto, é preciso tempo para amadurecer

Luis Fernando começou a desenhar na infância, com a professora de catequese em Ribeirão Preto dos anos 80. Segundo ele, não pára de fazer as coisas que começa, um hiperativo assumido. E contente. Em 1983 começou a lecionar arquitetura na PUC Campinas. E continua. Em 1984, começou a desenvolver produtos para vender na loja da mãe. E continua. Em 2005 começou a lecionar a matéria de calçados na pós – graduação de moda da FAAP, e continua lá. Esperando que continue aqui, inicia a disciplina de sapatos na Orbitato neste fim de agosto chuvoso de 2009.

O artista é um visionário, disposto a compartilhar sua arte. O designer, usa referências e estímulos da arte e transforma idéias em projetos, considerando executabilidade, função e finalmente forma. Sapatos devem ser pensados exclusivamente em movimento, afirma. Pode-se dizer que Luiz é um cara que sabe onde tem os pés! A frente da criação da Ferri Couros

http://www.ferricouros.com.br/, empresa surgida da iniciativa de vender sapatos de criação própria, nas lojas da mãe, que comercializava multimarcas.

Relata que começou freqüentando feiras na Europa e voltou ao Brasil buscando locais para produzir coisas de qualidade para o mercado interno, combinação estranha para a época. Encontrou em Novo Hamburgo a extrema qualidade industrial, capaz de responder ao mercado internacional, com grandes quantidades. Mas que não se interessava em produzir pequenas quantidades para o mercado interno. E nem acreditava que houvesse esse espaço ou necessidade. Além do que, só produziam a partir de pilotos, nunca de desenhos. Para reproduzir um sapato, era preciso ter um sapato. Ou seja, uma estrutura pronta para copiar, mas não para criar. Característica dos idos 80 no Brasil.

Procurando produzir um produto com alto valor para atingir o mercado interno, não encontrou fornecedores, nem mesmo em Novo Hamburgo. Mas foi lá que apaixonou-se pelas fabricas do sul e seus potenciais econômicos. Viu nos processos fabris a possibilidade de desenvolver projetos. Trouxe o raciocínio da arquitetura para a projeção de calçados. Nutria interesse pelo fazer e pela estabilidade funcional. Não tinha interesse pela impemanência da moda, nem pelos seus ciclos curtos.

Teimoso e habilidoso, foi descobrir como reunir coisas tão dispares como qualidade e mercado interno, inovação e classe, moda e arquitetura. E conseguiu.

Além de continuar fazendo tudo o que começou, fez, e faz, tudo de maneira impecável. Afirma que o Brasil hoje, é o suporte para o desenvolvimento tecnológico chinês na industria de calçados. Que a condição de construir equipamentos é determinante para o sucesso produtivo, coisa que temos e nem sabemos. Relaciona economia, moda, aspectos formais, arquitetura e historia, integrando tudo numa visão claríssima do mundo contemporâneo

Idéias custam caro! Perceber antes, condição dos profissionais sensíveis, deve servir como meio de geração de negócios.
Para fazer um bom design é preciso aprender a errar.
Ser copiado significa deter a condição de criar, conclui.
Ficamos com saudade, e com vontade por mãos a obra! Em breve.

http://www.trippen.com/
http://www.camper.com/web/en/home.asp
http://www.melissa.com.br/
Regulamento francal

[TURMA I] CONDICIONANTES E ASPECTOS AMBIENTAIS – JÚLIO CÉSAR REFOSCO

Posted by: on dez 1, 2009 | One Comment


Tudo já foi pior – impacto ambiental
por Celaine Refosco

Esta disciplina no Curso de Criação e Desenvolvimento de Produtos vem justamente trazer à tona a responsabilidade que todos temos, como cidadãos e como profissionais, na relação de nossa sociedade com o meio ambiente. A aula ministrada por Julio Refosco, Eng. Florestal e ambientalista, ocorreu justamente no dia em que chegaram as novas cadeiras do Instituto Orbitato, fornecidas pela empresa Butzke (ver post específico) de Timbó, a primeira empresa brasileira a trabalhar com madeira certificada. Um prato cheio partir deste case para abordar as questões de certificação, políticas públicas e tantas outras. Foi uma das aulas com maior participação dos alunos. O assunto é premente e sensibiliza a todos.

Tudo tem um tempo, as coisas não acontecem do dia para a noite, ainda mais nas questões ambientais. Passamos milhares de anos explorando este planeta, considerando-o interminável, imaginando seus recursos inextinguíveis. A noção da finitude do planeta e de seus recursos é recente demais para que tenhamos soluções definitivas para todos os problemas já criados.

Um marco de transição na relação do design com o meio ambiente aconteceu em 1973 quando países árabes passaram a elevar o preço do petróleo forçando uma mudança no comportamento dos cidadãos, das empresas e instituições trazendo a questão finitude dos recursos. Além disso, a crise do petróleo trouxe a questão do centro e da periferia colocando os países árabes, periferia até então, no centro do mundo.

A questão do consumo crescente, incentivada como política, sobretudo entre os países ricos, se contrapõe frontalmente à noção de fim dos recursos, gerando inquietude crescente e também consciência de consumidores e produtos de bens de consumo. Julio abordou as questões de políticas públicas, os instrumentos de política e gestão ambiental como a certificação, o licenciamento ambiental e tantos outros, e o papel do designer nesta nova cena.

Neste cenário, uma das questões que foi muito discutida no Brasil na década de 1970, mas que ainda domina e que pode ser retomada no Brasil atual, diz respeito a crescimento, desenvolvimento e desenvolvimento sustentável. São noções diferentes. O crescimento não imagina que os recursos do planeta são finitos e atualmente escassos. O desenvolvimento já evolui, mas ainda apresenta problemas. A humanidade trabalha hoje mais com a noção de desenvolvimento sustentável que é mais orgânica e, apesar das controvérsias, nos permite discutir o avanço da civilização em direção a saciar nossas necessidades permitindo às gerações futuras a sua existência.

Mudanças de conceitos ocorrem em todas as áreas do conhecimento. A economia clássica, por exemplo, vem sendo questionada pela economia ecológica, pois não leva em conta uma série de restrições impostas pela natureza. Na economia clássica, por exemplo, os cenários consideram que a natureza pode prover uma quantidade infinita de recursos ao mesmo tempo em que imagina existir um lixão sem fundo. A economia ecológica, por outro lado procura desenvolver seus conceitos tomando por base as limitações impostas pelo ambiente natural.

O designer tem nas mãos a possibilidade de interferir neste problema através da busca de novas tecnologias. A tecnologia pode trazer soluções inovadoras, novos materiais, novos processos.

E de que forma o designer pode interferir? Afinal, o que cabe ao designer? Algumas das formas são:
· Uso de matérias não poluentes e de baixo consumo de energia
· O incentivo às mudanças de atitude de consumo
· Mudar a visão inerente ao consumo, de que o excesso é sempre uma vantagem
· Interferir na psicologia do desperdício, procurando inserir a filosofia dos 3 Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar)
· Procurar maior eficiência de operação e facilidade de manutenção do produto
· Trabalhar o potencial de reutilização e reciclagem após o descarte dos produtos
· Trabalhar o ciclo de vida dos produtos. Segundo Rafael Cardoso Denis, “a visão de planejamento de ciclo de vida é especialmente importante do ponto de vista do designer, por se tratar de uma atividade que só pode ser realizada como parte do processo de produção e que se encaixa, portanto na busca de qualidade total intrínseca às filosofias mais recentes de gestão empresarial.”

As aulas no curso contaram com uma parte teórica sucedida por visitas a três lugares de reflexão: 1) Centro de Reciclagem da Prefeitura de Pomerode; 2)Uma área de deslizamento do evento de novembro de 2008; 3)O centrinho da cidade, buscando vestígios da relação de Pomerode com o meio ambiente.

O Centro de Reciclagem de Pomerode existe há cerca de um ano, é uma autarquia e surgiu naturalmente com a intenção de separação do lixo, e da redução da quantidade geral que é depositada no Aterro Sanitário de Timbó, destino do lixo de um consórcio de municípios da região. Wilhelm Zilz coordena o Centro que conta com cerca de 20 funcionários que atuam na coleta e separação e está subordinada a SAMAE. As 115 toneladas coletadas a cada mês no município de Pomerode são separadas nas 20 categorias comercializáveis:
Classificação do Lixo Reciclável
Papéis
1. Papelão
2. Papel misto
3. Embalagem longa vida
Plásticos
4. Plástico mole colorido
5. Plástico duro colorido
6. Plástico duro branco
7. Plástico duro natural
8. Plástico mole branco
9. Plásticos – copinhos PP
10. Plástico duro margarina
11. Pet
12. Pet azeite
Vidros
13. Cacos e litros
14. Vidros de conserva grandes
15. Vidros de conserva normal
16. Garrafão de vidro
Metal
17. Latas e sucatas bruta de ferro
18. Alumínios diversos (reciclado)
19. Alumínio (latinhas)
20. PVC

Na cena do deslizamento foi possível ver de perto algumas das conseqüências das chuvas de 2008, as feridas ainda abertas na terra. Foi possível também debater sobre suas causas. Ali o grupo discutiu sobre a ocupação do espaço, sobre os conflitos oriundos da necessidade de espaço do ser humano, a necessidade de alteração dos espaços, sua artificialização, a necessidade da manutenção de espaços naturais e outros assuntos.

Já no centro de Pomerode a idéia era continuar a discussão sobre o espaço e abranger a discussão sobre o uso dos recursos, tomando como exemplo os recursos hídricos, um bem de inestimável valor para a vida que vem sendo perdido pouco a pouco. Discutor também as políticas públicas em curso e a falta delas.

Mas neste quadro que pintamos tem lugar para coisas boas. Existem ótimas iniciativas em gestão ambiental. Existe gente pensando e querendo solução para diversos problemas.

Abaixo alguns links interessantes.

Sustainable Solution Design Association Dinamarca
http://www.youthxchange.net/main/danishecofashion.asp

The EU Flower
http://ec.europa.eu/environment/ecolabel/

Interesse Nacional
http://www.interessenacional.com/

Minhocasa
http://www.minhocasa.com/

SOS Mata Atlântica
http://www.sosmatatlantica.org.br/

CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem
http://www.cempre.org.br/

FSC – Conselho Brasileiro de Manejo Florestal
http://www.fsc.org.br/

A história das Coisas
http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E

Design for Envinment
http://www.pre.nl/ecodesign

EVENTO NA COLOMBIA – ADIADO

Posted by: on set 9, 2009 | No Comments
Já havíamos debatido em algum momento deste blog que “nem todos os dados de um processo são controláveis”. Aqui, desde que formamos nosso primeiro curso de pós-graduação em Criação e desenvolvimento de produtos para Moda e Design, reunimos um grupo de alunos altamente qualificados e trabalhamos com entusiasmo entre novos amigos, dentro de nossas perspectivas para a criação. Viajamos, estudamos em grupo, conhecemos empresas e sempre estivemos abertos a propostas, parcerias e iniciativas.
Há alguns meses recebemos em nosso Instituto a visita de uma comitiva colombiana que organizaria o Congresso latinoamericano de Moda, na ocasião, este mesmo grupo de alunos foi convidado a representar o Brasil no evento, dentro da “Passarela Aventura Latina”, na Colômbia. Nos últimos meses trabalhamos incansavelmente na construção coletiva de duas mini-coleções. Um grande exercício de criação fez com que este grupo de profissionais que compõe o curso pusessem disponibilizar seus melhores saberes, vontades e intenções.
Porém, como nem todos os dados são controláveis, recebemos hoje, a notícia de que o evento foi adiado, sem data definida para acontecer. Entendemos que independente da nova data do evento, o trabalho está concretizado, e pra nós, o mais importante e a realização! Aqui, continuamos imaginando possibilidades para apresentá-lo.Seguimos…Aguardem…
Postado por Orbitato – Instituto