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[TURMA III] HISTÓRIA DAS IMAGENS – IDENTIDADE E LINGUAGEM COM CARLOS PERRONE

ARTE MODA

Por Laura Pereira, estudante da turma III do curso de Pós-Graduação em Criação e Desenvolvimento de Produtos para Moda e Design do Orbitato.

Prof. Carlos Perrone propõe conexões entre arte, corpo, cinema, cor e moda.

Dias antes do segundo encontro da nossa turma com o Professor Carlos Perrone recebemos alguns textos por email. Antes mesmo de terminar de imprimir todas as páginas já estava lendo as que saíam da máquina. O assunto que pairava sobre a minha mesa, folha por folha, era História da Arte. A princípio, não achava conexão clara entre os temas, só a mesma paixão distribuída entre os expressionistas, os novos realistas (como Yves Klein e Niki de Saint Phalle) e Edward Hopper. Isto foi suficiente para me deixar curiosa com a aula que estava por vir.

Egon Schielle foi o expressionista eleito para estudarmos o movimento e a relação da pintura feita de dentro para fora. Os expressionistas usavam os elementos formais em suas obras como queriam, como achavam que as coisas gostariam de ser retratadas, criando-se assim uma ausência da idealização formal. Uma das coisas que torna interessante para estudantes de moda observar na obra de Schielle é que o tecido é claramente usado como material de expressão para sua obra.

Fonte: Arquivo pessoal Laura Pereira. Obra de Egon Schielle

Fonte: Arquivo pessoal Laura Pereira. Obra de Egon Schielle

Declaro que um ponto alto da aula, pra mim, foi quando o filme “Dreams”, do cineasta japonês Akira Kurosawa,  exibido. O vídeo mostra um homem entrando no universo do Van Gogh ao ver um quadro do pintor num museu.{http://www.youtube.com/watch?v=K8Pnjwu4a6k}. Me impressionou ver este filme pois sempre que paro na frente de um quadro que me chama atenção por algum motivo, imagino como é entrar nele, viver naquele mundo e depois ainda sair manchada de tinta.

Fonte: Arquivo pessoal Laura Pereira. Obra de Van Gogh

Esse “sonho” eu tive quando vi pela primeira vez ao vivo um quadro azul do Yves Klein. Incrivelmente, ele subverteu a lógica de tudo que se via como arte até então. Ele usava corpos ao invés de pincel; ele chamou um químico para criar seu próprio azul; ele passou a ser o autor da obra (e não necessariamente quem a executa); ele foi o percursor da BodyArt e Performances, formas de arte efêmeras de onde a moda se apropria de elementos e faz desfiles, por exemplo. Inevitavelmente, todo desfile é uma performance uma vez que lida com conteúdo e informação.  Vimos tudo isso acontecer hoje e muitas vezes não fazemos idéia de onde e como essas coisas surgem.

Fonte: Arquivo pessoal Laura Pereira. Obra monocromática de Yves Klein.

Vimos também como Edward Hopper foi o pintor dos momentos passageiros e velados, dos segundos no cotidiano onde a cama está por fazer; um cotidiano simples e banal, que se faz presente na vida de todas as pessoas. Nessa onda, ele abriu uma porta pela a qual os artistas pop passaram com tudo. Eles retrataram o cotidiano mais banal e o levaram para os museus.

Fonte: Arquivo pessoal Laura Pereira. Obra de Andy Warhol.

Em Hopper, o corpo representado é frio e silencioso, quando os objetos e tecidos são quentes; onde, de novo, temos material para ver com os olhos da moda e comportamento. Cineastas como Woddy Allen e Alfred Hitchcock beberam da obra de Hopper e criaram clássicos do cinema. Hopper é um pintor da metrópole; ele retrata um não-diálogo entre as pessoas e nos coloca no incansável exercício de ver.

Foi latente perceber a importância de estudar a Arte desse prisma para se trabalhar criando moda com um repertório projetual que não vem só da vivência pessoal, mas sim do olhar além da imagem ao seu contexto e história.

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