[TURMA III] PLANEJAMENTO INDIVIDUAL DE CRIAÇÃO COM CELAINE REFOSCO

Posted by: on mai 18, 2010 | One Comment
Momentos de apresentação durante a aula Planejamento Individual

Momentos de apresentação durante a aula Planejamento Individual

Reconhecimento

Por Mayná Quintana – bacharel em Moda pela Udesc, integrante da Turma III do curso de pós graduação. http://www.flickr.com/photos/maynaquintana/

Uma aula para se conhecer e reconhecer o outro. A princípio a idéia era simples: que cada um levasse para aula algo que fez, faz, ou que faria se pudesse. Simples, mas nem tão simples.

A professora Celaine Refosco começou a aula nos apresentados algumas imagens bastante impactantes esteticamente: fotos da tribo do rio Omo, com suas pinturas corporais, cores e ornamentações; as vestimentas experimentais de Lucy & Bart, que utilizam o corpo como suporte para diversas criações estruturais; e, por fim, um de seus próprios trabalhos, desenvolvido a partir da percepção tátil de algo bem comum, simples, um ovo.  As imagens mostradas ali apresentavam caminhos bastante diferentes entre si, quase sem relação num sentido estrutural, mas que mantinham uma origem muito semelhante: a criação a partir de algo dado, algo que se encontrava à volta e foi transformado, como resultado de uma experimentação incansável e, como não dizer, de uma experiência.

 Isso bateu em mim como uma impressão muito forte. E se desdobrou em algumas reflexões e pensamentos soltos. À medida que cada um ia descrevendo seu trabalho, mostrando suas imagens, a minha percepção sobre o mundo profissional do qual  fazemos parte – este da produção de imagens e objetos para consumo volátil, mas que também não deixa de ser o da produção simbólica – foi de certa maneira transformada.  De um bloco rígido cheio de articulações pré-definidas – que tem me deixado um tanto insegura ultimamente – acabou se mostrando em uma esponja porosa, penetrável, capaz de ser transformada por forças particulares em espaço compartilhado. E que pôde ser percebido naquela sala, entrando no mundo das pessoas que se apresentaram.

A partir disso foi possível pensar que a experiência é talvez a conseqüência mais rica da experimentação, da busca. É o sentido propriamente dito. E que quando levada à exaustão, ao esgotamento das tentativas, acaba se transformando, fazendo existir um novo dado, que pode vir a ser o próprio objeto da experiência. Isto, é claro, só é possível acontecer quando existe uma troca, um reconhecimento. A aula não foi diferente disso, saímos de lá esgotados, e preenchidos, com a sensação de que ainda existe algo a ser feito com o que está à volta.

1 Comment

  1. Jeruza
    18 de maio de 2010

    Nossa foi isso mesmo Mayná!! Esgostamento e satisfação… beijo amiga, parabéns pelo texto.

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