[TURMA II E III] REPERTÓRIO DE CRIAÇÃO COM SANDRA HARABAGI
Sandra Harabagi aborda as questões relacionadas a assinatura na criação.
Um desejo de quê?
por Monike Caroline Mueller
Bacharel em Moda, Estilista, integrante da turma III do curso de pós graduação aqui do Orbitato.
Imagens, muitas delas… inspirações, criadores, criaturas. Duas turmas unidas para absorver o que fosse possível de uma profissional qualificada, dona de uma vasta experiência, de um ser humano instigante, de uma pessoa de memória invejável .
Uma aula em que aprendi a enxergar… será mesmo?! Será que temos a capacidade de, depois de certa idade e de conhecer as “maldades” do mundo, voltar a enxergar com a mesma inocência de uma criança?! Será que algum dos profissionais presentes nesta aula conseguirá criar o novo de forma inocente, sem medo?!
E foi seguindo esta linha de pensamento que tivemos que colocar no papel, o primeiro pensamento que viesse a nossa cabeça ao sermos questionados: “Se eu te desse um pirulito? Como ele seria? Que cor teria?…” Depois de um difícil começo, cheio de pudor, iniciaram-se os relatos dos mais corajosos e aos poucos a inocência tomou conta e um por um, fomos contando nossas histórias, relembrando a infância, poesia, desenho. Horas mágicas em que aprendemos que ali, naquele momento, o errado não existia.
Repertório de Criação, uma aula que prometeu e cumpriu, desde o início, aguçar a observação. Com seus mais de 300 slides, a professora Sandra Harabagi, nos deu o que pensar. Imagens curiosas, perguntas sem respostas, tudo ecoando ao mesmo tempo em uma aula que nos seduziu, do início ao fim!
Sandra Harabagi aborda as questões relacionadas a assinatura na criação.
[TURMA III] PLANEJAMENTO INDIVIDUAL DE CRIAÇÃO COM CELAINE REFOSCO
Reconhecimento
Por Mayná Quintana – bacharel em Moda pela Udesc, integrante da Turma III do curso de pós graduação. http://www.flickr.com/photos/maynaquintana/
Uma aula para se conhecer e reconhecer o outro. A princípio a idéia era simples: que cada um levasse para aula algo que fez, faz, ou que faria se pudesse. Simples, mas nem tão simples.
A professora Celaine Refosco começou a aula nos apresentados algumas imagens bastante impactantes esteticamente: fotos da tribo do rio Omo, com suas pinturas corporais, cores e ornamentações; as vestimentas experimentais de Lucy & Bart, que utilizam o corpo como suporte para diversas criações estruturais; e, por fim, um de seus próprios trabalhos, desenvolvido a partir da percepção tátil de algo bem comum, simples, um ovo. As imagens mostradas ali apresentavam caminhos bastante diferentes entre si, quase sem relação num sentido estrutural, mas que mantinham uma origem muito semelhante: a criação a partir de algo dado, algo que se encontrava à volta e foi transformado, como resultado de uma experimentação incansável e, como não dizer, de uma experiência.
Isso bateu em mim como uma impressão muito forte. E se desdobrou em algumas reflexões e pensamentos soltos. À medida que cada um ia descrevendo seu trabalho, mostrando suas imagens, a minha percepção sobre o mundo profissional do qual fazemos parte – este da produção de imagens e objetos para consumo volátil, mas que também não deixa de ser o da produção simbólica – foi de certa maneira transformada. De um bloco rígido cheio de articulações pré-definidas – que tem me deixado um tanto insegura ultimamente – acabou se mostrando em uma esponja porosa, penetrável, capaz de ser transformada por forças particulares em espaço compartilhado. E que pôde ser percebido naquela sala, entrando no mundo das pessoas que se apresentaram.
A partir disso foi possível pensar que a experiência é talvez a conseqüência mais rica da experimentação, da busca. É o sentido propriamente dito. E que quando levada à exaustão, ao esgotamento das tentativas, acaba se transformando, fazendo existir um novo dado, que pode vir a ser o próprio objeto da experiência. Isto, é claro, só é possível acontecer quando existe uma troca, um reconhecimento. A aula não foi diferente disso, saímos de lá esgotados, e preenchidos, com a sensação de que ainda existe algo a ser feito com o que está à volta.
[TURMA III] PLANEJAMENTO INDIVIDUAL DE CRIAÇÃO COM CELAINE REFOSCO.
O QUE ME MOVE? O QUE NOS MOVE?
O coração é a representação da vida, ele próprio. Guardado por isso e por vital que é, envolto em camadas sucessivas de peles, gorduras e músculos, encerrado na gaiola formada pela caixa torácica e pela coluna vertebral. Vizinho encostado da sístole e diástole do pulmão, movimento rítmico e constante como o pulsar do mar. O coração relaciona o interno com o externo, alimentado pela relação vital, interior exterior, executada pelos pulmões, já esses, dois.
Identificar o coração motriz, significa identificar o precioso núcleo que movimenta nossa vontade na vida. E a partir daí, de forma consciente, colaborar e atuar para que seja assertiva essa vontade. Colaborar porque no coletivo somos parte, embora individualmente sejamos divididos em partes, que nos formam um todo. Localizá-lo, no entanto, pode ser a tarefa para a vida toda, mas é empreendimento fundamental. Consciência. É preciso expressar, continuamente, como se a qualquer momento fosse nos aparecer a fada poderosa e tivéssemos de saber que pedido realizar.
Por outro lado, saber o que nos move, possibilita que andemos em direção ao nosso desejo construindo a felicidade, carência individual e coletiva de nossos dias, talvez de todos. De realização se trata a vida, penso.
