[TURMA II] COR APLICADA A MODA E AO PRODUTO COM SÉRGIO GRÉGORIO
Assim. Simples assim.
Texto e Artes : Nestor Jr.
Fotos: Carlos Felipe Urquizar Rojas
Artes visuais de Nestor Jr.
Esses últimos meses têm sido um período no mínimo curioso para mim. Cada novo encontro, cada novo fim de semana que se estende em longas e deliciosas experiências no Instituto Orbitato, eu me conheço mais.Vou delineando como que com um lápis, esboços de descobertas, a cada aula. Parece incrível mas sempre depois das aulas eu penso no que acabo de realizar e nas conseqüências que aquelas ações provocarão no que eu venha a realizar a seguir. Não falo de nenhum segredo super poderoso, desses embutidos numa propaganda milagrosa comuns as pós graduações. Eu falo de coisas tão absurdamente simples, que sempre no fim das aulas me pergunto como deixei de enxergar, tamanha obviedade nas coisas. Para entender: Eu, artista plástico, nunca – NUNCA! –parei para misturar cores. Piada! Mas verdade. Para mim as coisas eram, assim, simples: eu compro uma determinada tinta, aplico sobre quadros e (ponto final). Essa praticidade, talvez eu tenha herdado da minha graduação em publicidade e propaganda, que define logo como você deve ser, como deve agir e que cores deve usar. Preto no branco. No máximo um vermelho ou amarelo se for vender comida. E eu sempre fui do branco e preto, confesso. Não dá para errar. Não muito. As cores surgiram há poucos anos, um vermelho aqui, um azul lá perdido no fundo, um verde claro, nada muito extravagante. E parece que essa evolução toma corpo agora, um pouco mais, indicando o caminho longo a percorrer. (Só agora ando correndo riscos de errar). Essa evolução, esse olhar que parece querer ser treinado, encontra na figura de Sergio Gregório um ponto de partida dos melhores.
Ele fala duas palavras e diz tudo. Te mostra um exemplo (que pode ser um tecido, uma imagem ou uma planta) e tudo fica claro. Assim. Simples! Beira a genialidade, de tão sensível é seu olhar para captar as mais diversas nuances. A gente vai descobrindo a gama, riquíssima dos pútridos (terrosos), debaixo das árvores, passa aos laranjas do Deserto do Atacama e aos muitos brancos da Patagônia. Você vai a muitos lugares durante a breve introdução que ele aplica a suas aulas. Depois, somos instigados a descobrir cada qual a sua sensibilidade e ficamos assim: sentados ali na sala, abstraindo o barulho dos poucos carros que circulam por essa cidade, buscando em cada quadradinho colorido a realização da mais bela tonalidade de um cinza (é preciso preencher toda uma folha de quadradinhos para se chegar a dois ou três realmente belos) e os azuis? E os azuis com marrom? E os tons pastel? (pelo menos duas folhas), e as horas correm, e a vontade é de ficar, mas também de ir embora, para iniciar de uma vez a aplicação dessas descobertas em nossas realizações mais pessoais. Eu o fiz. Eu sempre sinto essa gana de transpor essas descobertas para meus trabalhos, meus esboços. Mais que uma aplicação do aprendido, o prazer do vivenciado.
Aos poucos descobre-se onde reside o prazer do aprendizado. Assim simples. Assim sensível . Tão fácil e tão possível.
Os mais sinceros agradecimentos ao Sérgio.
* Quem é Sérgio Gregório?
Sérgio Gregório, especialista em cores, artista plástico, fez curso de Desenho em Lyon, na França, cursos no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e já realizou diversas exposições. Atualmente, dá aulas de desenho no curso de Negócios da Moda da Universidade AnhembiMorumbi, e também é professor do Curso de Pós-Graduação em Criação e Desenvolvimento de Produtos para Moda e Design do Instituto Orbitato.Possui ainda graduação em Artes Plásticas pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (1978), e uma especialização em Padrões Gastronômicos pela Universidade AnhembiMorumbi (2006).
