[TURMA II] CRIAÇÃO E RACIOCÍNIO EM VOLUMETRIA: MOULAGE
[TURMA II] CRIAÇÃO E RACIOCÍNIO EM VOLUMETRIA: MOULAGE
Moulage tem sido sempre um princípio defendido pelo Orbitato para compreender a Moda e a Criação de produtos. Iniciar o entendimento criativo pelos pré-requisitos técnicos traz ao criador ferramentas mais elaboradas para definir qualquer método. Dentro do curso de pós-graduação em Criação e Desenvolvimento de Produtos para Moda e Design, tentamos ultrapassar as fronteiras entre os domínios criativos e técnicos. Ambos completam fazeres e conjugam novas alianças para definir as diferenças de novos processos de criação.
Na disciplina Criação e Raciocínio em Volumetria: Moulage, que aconteceu nos dias 30 e 31 de outubro de 2009, contamos com a notável experiência da professora Ana Lucia Niepceron que conduziu cada participante a entender os detalhes do processo de construção de uma peça de roupa. A disciplina foi dividida em exercícios de analise de medidas e entendimento de formas; princípios de moulage básica e construção partindo de formas geométricas.
Cada exercício proposto trouxe aos alunos maneiras de progredir o pensamento a cerca da aplicação profissional. Vale ressaltar que nestes exercícios tivemos a oportunidade de traçar o desenvolvimento de técnicas, compreendendo métodos, reequipando nosso repertório profissional, atingindo níveis mais altos de compreensão técnica aliada a relação criativa. O uso constante de mecanismos lógicos e de conceitos abstratos modificam profundamente o trabalho de nossa postura criativa.
[TURMA I] Cor com Sérgio Gregório
UMA AULA DE INVENTAR COR
por Flávia Vanelli
“A cor apoderou-se de mim: não tenho mais necessidade de persegui-la. Sei que ela me tomou para sempre.” Paul Klee.
Baseados nos tons quentes, na vibração cromática da terra, no caule das árvores que dela brotam e nas pedras, Sérgio Gregório nos deu a atrativa idéia de trabalharmos na livre invenção de uma cartela, buscando infinitas possibilidades da cor, libertos de preconceitos e regras acadêmicas. Tarefa que cumprimos com vitalidade emocional.
Uma cor que tenha memória de azul, uma cor com memória de amarelo, outra que lembre vermelho… assim, temos o equilíbrio óptico de cores que nos tanto satisfaz.
Mesmo sem que as pessoas saibam explicar por que gostam ou não de determinado emaranhado de cores, o equilíbrio está na base material desta harmonia.
Uma cartela de cores, do ponto de vista da moda ou do design, pode ser composta por uma única cor, ou por uma quantidade enorme delas, de forma a atender às necessidades de produtos e coleções.
Para construir uma cartela de cores a partir de uma imagem, é necessário identificar a cor “ponto de luz”, a cor “zona de sombra” a “escuro definitivo”, enfim, identificar o amarelo o magenta e o azul, sob as cores terrosas, pastel, as falsas cores…
Outro processo possível é a interpretação de cores e construção de cartela, através de imagens mentais, as “Cores Pensamento”. Isso me faz lembrar a introdução de um filme que recém assisti baseado em um livro de Chico Buarque que inicia dizendo: Budapeste é amarela. Ou uma conversa orbital numa mesa de jantar em que alguém classificou o Uruguai como cinza azulado.
Segundo Sérgio Gregório, não existem cores neutras. Todas elas interferem umas nas outras, sempre se alterando mutuamente, sem neutralidade alguma, as cores são ativas o tempo inteiro. Tem personalidade e acompanham os homens em sua jornada.
Saímos dessa aula com um olhar sensível ao entorno. E para ilustrar essa nova sensibilidade cito os quadros da artista Celaine Refosco, seu domínio de cores e formas da natureza que tanto encantam.
Folhagens por Celaine
[TURMA I] Desenvolvimento de Produtos – Calçados
EU QUERO SER DONO DO QUE EU PENSO
Design não se faz em tempo curto, é preciso tempo para amadurecer
Luis Fernando começou a desenhar na infância, com a professora de catequese em Ribeirão Preto dos anos 80. Segundo ele, não pára de fazer as coisas que começa, um hiperativo assumido. E contente. Em 1983 começou a lecionar arquitetura na PUC Campinas. E continua. Em 1984, começou a desenvolver produtos para vender na loja da mãe. E continua. Em 2005 começou a lecionar a matéria de calçados na pós – graduação de moda da FAAP, e continua lá. Esperando que continue aqui, inicia a disciplina de sapatos na Orbitato neste fim de agosto chuvoso de 2009.
O artista é um visionário, disposto a compartilhar sua arte. O designer, usa referências e estímulos da arte e transforma idéias em projetos, considerando executabilidade, função e finalmente forma. Sapatos devem ser pensados exclusivamente em movimento, afirma. Pode-se dizer que Luiz é um cara que sabe onde tem os pés! A frente da criação da Ferri Couros
http://www.ferricouros.com.br/, empresa surgida da iniciativa de vender sapatos de criação própria, nas lojas da mãe, que comercializava multimarcas.
Relata que começou freqüentando feiras na Europa e voltou ao Brasil buscando locais para produzir coisas de qualidade para o mercado interno, combinação estranha para a época. Encontrou em Novo Hamburgo a extrema qualidade industrial, capaz de responder ao mercado internacional, com grandes quantidades. Mas que não se interessava em produzir pequenas quantidades para o mercado interno. E nem acreditava que houvesse esse espaço ou necessidade. Além do que, só produziam a partir de pilotos, nunca de desenhos. Para reproduzir um sapato, era preciso ter um sapato. Ou seja, uma estrutura pronta para copiar, mas não para criar. Característica dos idos 80 no Brasil.
Procurando produzir um produto com alto valor para atingir o mercado interno, não encontrou fornecedores, nem mesmo em Novo Hamburgo. Mas foi lá que apaixonou-se pelas fabricas do sul e seus potenciais econômicos. Viu nos processos fabris a possibilidade de desenvolver projetos. Trouxe o raciocínio da arquitetura para a projeção de calçados. Nutria interesse pelo fazer e pela estabilidade funcional. Não tinha interesse pela impemanência da moda, nem pelos seus ciclos curtos.
Teimoso e habilidoso, foi descobrir como reunir coisas tão dispares como qualidade e mercado interno, inovação e classe, moda e arquitetura. E conseguiu.
Além de continuar fazendo tudo o que começou, fez, e faz, tudo de maneira impecável. Afirma que o Brasil hoje, é o suporte para o desenvolvimento tecnológico chinês na industria de calçados. Que a condição de construir equipamentos é determinante para o sucesso produtivo, coisa que temos e nem sabemos. Relaciona economia, moda, aspectos formais, arquitetura e historia, integrando tudo numa visão claríssima do mundo contemporâneo
Idéias custam caro! Perceber antes, condição dos profissionais sensíveis, deve servir como meio de geração de negócios.
Para fazer um bom design é preciso aprender a errar.
Ser copiado significa deter a condição de criar, conclui.
Ficamos com saudade, e com vontade por mãos a obra! Em breve.
http://www.trippen.com/
http://www.camper.com/web/en/home.asp
http://www.melissa.com.br/
Regulamento francal
TURMA II] PLANEJAMENTO INDIVIDUAL DE CRIAÇÃO
TURMA II] PLANEJAMENTO INDIVIDUAL DE CRIAÇÃO
Organizar idéias, experimentar possibilidades, REALIZAR, com esta perspectiva Celaine Refosco, professora da disciplina Planejamento Individual de Criação, iniciou o debate com os alunos da segunda turma do curso de pós-graduação em criação e desenvolvimento de produtos para Moda e Design, tendo como eixo condutor o exame da atividade profissional. O que eu faço, já fiz, e o que quero fazer?
A disciplina abordou o renovado desafio de encontrar as questões da criação autoral seja ela na indústria ou em negócios particulares. Diante da análise de projetos revolucionários e cases de empreendedores que transformaram-se em referências do design, organizamos rumos para seguir caminhos possíveis.
Neste sentido, entende-se que o aspecto decisivo na postura profissional esta ligado à vontade da ação que definem a postura pessoal na formação do repertório de criação de cada um. A idéia central foi potencializar as vontades empreendedoras ligadas ao sucesso empresarial e a liberdade criativa e legitimar estratégias motivadas por habilidades cuja natureza depende de cada contexto particular enriquecidas pelas experiências já vividas.
O processo da disciplina movimentou-se em dois exercícios. No primeiro todos os alunos tiveram a oportunidade de apresentar-se ao grupo profissionalmente, contando sua trajetória e expondo seu portfolio – a iniciava colocou todos os alunos em contato com o trabalho e história uns dos outros, uma forma de mapear atividades, habilidades e nos colocarmos como grupo. No segundo, inicia-se o movimento de projeção para as disciplinas de criação que virão a seguir, na análise das intenções, experimentações e vivências dentro do curso.
Na mesma aula os alunos também puderam ouvir Jorge Montana, Editor-fundador do site da rede latinoamericana de design www.rldiseno.com. Que de passagem pelo Orbitato, bateu um papo com os alunos sobre gestão em design.
[TURMA I] CONDICIONANTES E ASPECTOS AMBIENTAIS – JÚLIO CÉSAR REFOSCO
Tudo já foi pior – impacto ambiental
por Celaine Refosco
Esta disciplina no Curso de Criação e Desenvolvimento de Produtos vem justamente trazer à tona a responsabilidade que todos temos, como cidadãos e como profissionais, na relação de nossa sociedade com o meio ambiente. A aula ministrada por Julio Refosco, Eng. Florestal e ambientalista, ocorreu justamente no dia em que chegaram as novas cadeiras do Instituto Orbitato, fornecidas pela empresa Butzke (ver post específico) de Timbó, a primeira empresa brasileira a trabalhar com madeira certificada. Um prato cheio partir deste case para abordar as questões de certificação, políticas públicas e tantas outras. Foi uma das aulas com maior participação dos alunos. O assunto é premente e sensibiliza a todos.
Tudo tem um tempo, as coisas não acontecem do dia para a noite, ainda mais nas questões ambientais. Passamos milhares de anos explorando este planeta, considerando-o interminável, imaginando seus recursos inextinguíveis. A noção da finitude do planeta e de seus recursos é recente demais para que tenhamos soluções definitivas para todos os problemas já criados.
Um marco de transição na relação do design com o meio ambiente aconteceu em 1973 quando países árabes passaram a elevar o preço do petróleo forçando uma mudança no comportamento dos cidadãos, das empresas e instituições trazendo a questão finitude dos recursos. Além disso, a crise do petróleo trouxe a questão do centro e da periferia colocando os países árabes, periferia até então, no centro do mundo.
A questão do consumo crescente, incentivada como política, sobretudo entre os países ricos, se contrapõe frontalmente à noção de fim dos recursos, gerando inquietude crescente e também consciência de consumidores e produtos de bens de consumo. Julio abordou as questões de políticas públicas, os instrumentos de política e gestão ambiental como a certificação, o licenciamento ambiental e tantos outros, e o papel do designer nesta nova cena.
Neste cenário, uma das questões que foi muito discutida no Brasil na década de 1970, mas que ainda domina e que pode ser retomada no Brasil atual, diz respeito a crescimento, desenvolvimento e desenvolvimento sustentável. São noções diferentes. O crescimento não imagina que os recursos do planeta são finitos e atualmente escassos. O desenvolvimento já evolui, mas ainda apresenta problemas. A humanidade trabalha hoje mais com a noção de desenvolvimento sustentável que é mais orgânica e, apesar das controvérsias, nos permite discutir o avanço da civilização em direção a saciar nossas necessidades permitindo às gerações futuras a sua existência.
Mudanças de conceitos ocorrem em todas as áreas do conhecimento. A economia clássica, por exemplo, vem sendo questionada pela economia ecológica, pois não leva em conta uma série de restrições impostas pela natureza. Na economia clássica, por exemplo, os cenários consideram que a natureza pode prover uma quantidade infinita de recursos ao mesmo tempo em que imagina existir um lixão sem fundo. A economia ecológica, por outro lado procura desenvolver seus conceitos tomando por base as limitações impostas pelo ambiente natural.
O designer tem nas mãos a possibilidade de interferir neste problema através da busca de novas tecnologias. A tecnologia pode trazer soluções inovadoras, novos materiais, novos processos.
E de que forma o designer pode interferir? Afinal, o que cabe ao designer? Algumas das formas são:
· Uso de matérias não poluentes e de baixo consumo de energia
· O incentivo às mudanças de atitude de consumo
· Mudar a visão inerente ao consumo, de que o excesso é sempre uma vantagem
· Interferir na psicologia do desperdício, procurando inserir a filosofia dos 3 Rs (Reduzir, Reutilizar, Reciclar)
· Procurar maior eficiência de operação e facilidade de manutenção do produto
· Trabalhar o potencial de reutilização e reciclagem após o descarte dos produtos
· Trabalhar o ciclo de vida dos produtos. Segundo Rafael Cardoso Denis, “a visão de planejamento de ciclo de vida é especialmente importante do ponto de vista do designer, por se tratar de uma atividade que só pode ser realizada como parte do processo de produção e que se encaixa, portanto na busca de qualidade total intrínseca às filosofias mais recentes de gestão empresarial.”
As aulas no curso contaram com uma parte teórica sucedida por visitas a três lugares de reflexão: 1) Centro de Reciclagem da Prefeitura de Pomerode; 2)Uma área de deslizamento do evento de novembro de 2008; 3)O centrinho da cidade, buscando vestígios da relação de Pomerode com o meio ambiente.
O Centro de Reciclagem de Pomerode existe há cerca de um ano, é uma autarquia e surgiu naturalmente com a intenção de separação do lixo, e da redução da quantidade geral que é depositada no Aterro Sanitário de Timbó, destino do lixo de um consórcio de municípios da região. Wilhelm Zilz coordena o Centro que conta com cerca de 20 funcionários que atuam na coleta e separação e está subordinada a SAMAE. As 115 toneladas coletadas a cada mês no município de Pomerode são separadas nas 20 categorias comercializáveis:
Classificação do Lixo Reciclável
Papéis
1. Papelão
2. Papel misto
3. Embalagem longa vida
Plásticos
4. Plástico mole colorido
5. Plástico duro colorido
6. Plástico duro branco
7. Plástico duro natural
8. Plástico mole branco
9. Plásticos – copinhos PP
10. Plástico duro margarina
11. Pet
12. Pet azeite
Vidros
13. Cacos e litros
14. Vidros de conserva grandes
15. Vidros de conserva normal
16. Garrafão de vidro
Metal
17. Latas e sucatas bruta de ferro
18. Alumínios diversos (reciclado)
19. Alumínio (latinhas)
20. PVC
Na cena do deslizamento foi possível ver de perto algumas das conseqüências das chuvas de 2008, as feridas ainda abertas na terra. Foi possível também debater sobre suas causas. Ali o grupo discutiu sobre a ocupação do espaço, sobre os conflitos oriundos da necessidade de espaço do ser humano, a necessidade de alteração dos espaços, sua artificialização, a necessidade da manutenção de espaços naturais e outros assuntos.
Já no centro de Pomerode a idéia era continuar a discussão sobre o espaço e abranger a discussão sobre o uso dos recursos, tomando como exemplo os recursos hídricos, um bem de inestimável valor para a vida que vem sendo perdido pouco a pouco. Discutor também as políticas públicas em curso e a falta delas.
Mas neste quadro que pintamos tem lugar para coisas boas. Existem ótimas iniciativas em gestão ambiental. Existe gente pensando e querendo solução para diversos problemas.
Abaixo alguns links interessantes.
Sustainable Solution Design Association Dinamarca
http://www.youthxchange.net/main/danishecofashion.asp
The EU Flower
http://ec.europa.eu/environment/ecolabel/
Interesse Nacional
http://www.interessenacional.com/
Minhocasa
http://www.minhocasa.com/
SOS Mata Atlântica
http://www.sosmatatlantica.org.br/
CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem
http://www.cempre.org.br/
FSC – Conselho Brasileiro de Manejo Florestal
http://www.fsc.org.br/
A história das Coisas
http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E
Design for Envinment
http://www.pre.nl/ecodesign
[TURMA II] Cultura na Era da Comunicação.
Com o conhecimento da história podemos encontrar a solução para vários problemas; com a definição exata de alguns conceitos, encontramos outros mecanismos para criar; com vontade de fazer diferente podemos seguir nossas próprias utopias.
Como ponto de partida pra compreender estes mecanismos, recebemos o Historiador Martin Feijó como professor da disciplina Cultura na Era da Comunicação. A proposta: Estudar a história com o panorama da subversão do estabelecido, permeando entre o moderno e o pós-moderno, o corpo, a imagem da mulher no século XX, entre o erótico e o pornográfico, a cultura e a contracultura.
Temas com energias para debater transformação com abordagens que nos fazem entender os mecanismos históricos e de analises como matéria-prima fundamental. Na moral da história as aulas de Martin nos trazem razões mais fortes para adotarmos um pensamento independente, crítico. Martin nos aponta o sentido da revolução contracultural, um tema do qual ele trata com paixão. Ele nos oferece a uma espécie de renovação geral dos conteúdos, de interpretações teóricas de questões importantes na prática da comunicação neste contexto geral.
Nesta aula chegamos ao local mais próximo do início dos fatores que impulsionaram as revoluções sociais da modernidade. Vimos de pertinho o grande momento de inovação que se iniciava na virada dos séculos, com ele, pensando e interagindo, nos aproximamos daqueles que compartilham desta ousada performance de subverter.
