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[TURMA II] FUNDAMENTOS DO DESIGN DE PRODUTO COM ANDRES PARALLADA

FUNDAMENTOS DO DESIGN DE PRODUTO

por Carlos Felipe Urquizar é chileno e brasileiro, graduado em Desenho Industrial pelo Instituto de Ensino Superior de Joinville. Trabalha com Fotografia e Ilustração é monitor dos cursos de moda e design da Unerj e aluno do Curso de Pós Graduação em Criação e Desenvolvmento de Produtos para Moda e Design, deste instituto.

Qual a diferença entre criatividade e design?

Que fatores devem levar em conta um designer, empresário ou departamento de marketing para iniciar o processo de concepção de um novo produto ou uma coleção de produtos?

É possível organizar de forma lógica esses fatores? Quais seriam? E quais seriam os critérios para se organizar esses grupos?

Com uma série de questionamentos, o Uruguaio, Andrés Parallada, professor da primeira aula da segunda turma do curso de Pós Graduação em Criação e Desenvolvimento de Produtos para Moda e Design inicia o primeiro modulo dos Fundamentos do Design de Produto.

Andrés, não facilita, responde as primeiras questões com mais perguntas, nos estimula assim a entender, conhecer, observar e analisar.

De onde surgem formas e funções dos objetos?
Quem desenhava ou de onde surgiam os produtos antes dos designers e artesãos?
Foi necessário voltar à história e primórdios do design para começar a desenvolver o tema. Andrés questiona o papel da tradição no desenvolvimento de produtos e explica por quais fatores se pode iniciar um projeto quando não se tem nada, e qual será seu processo e características decorrente dessas escolhas.
Em meio ao amadurecimento do tema fomos guiados até o surgimento da Bauhaus, para que além de entender adequação e contexto do design na revolução industrial, compreendêssemos que a Bauhaus foi mais do que um estilo, foi um centro de estudos que se dedicou a testar novas concepções artísticas a partir das idéias acumuladas nas duas primeiras décadas do século. Observamos que Bauhaus fez uma importante seleção dos conceitos criando os fundamentos para o design moderno, principais ferramentas do designer na esfera da percepção.
Estudar os fundamentos do design desde o seu surgimento com os mestres da Bauhaus, deixa clara a diferença entre designers que tiram suas idéias de referências consultadas, como portfólios de artistas, procurando combinações inteligentes de formas, tipos e cores como inspiração para seus projetos, dos designers que exploram mais profundamente o modo como à forma funciona, com riqueza e complexidade através de combinações simples.

Mas como criar ou como começar um projeto?
O processo de design é também um processo criativo, Andrés então explica a complexidade do termo criar e sua quantidade interminável de facetas, neste momento, se introduz a metodologia para organizar e racionalizar o pensamento, por esse motivo o design tem muito menos facetas e muito mais foco que a criatividade livre.
Lidar com criação no projeto de design significa então sempre refletir as condições sob as quais o projeto foi estabelecido e visualizá-las em seus produtos.

E a metodologia?
Em uma atividade Andrés nos pede para listar e organizar em grupos os fatores que utilizamos em nossos projetos, para depois, baseando-se em Bürdek, nos apresentar uma metodologia de projeto de produto.
Nos demos conta então que metodologia é um conjunto de operações necessárias, em ordem lógica, que nos leva de forma confiável e segura à solução do problema, e que teoria e metodologia do design são simples, desenvolvem-se da mesma forma que em qualquer outra disciplina e na maioria das vezes não percebemos, mas temos métodos inconscientes.

Um processo criativo ele é, sem dúvida. A configuração não se dá em um ambiente vazio, onde se brinca livremente com cores, formas e materiais. Cada objeto de design é o resultado de um processo de desenvolvimento, cujo andamento é determinado por condições e decisões – e não apenas por configuração. BÜRDEK (2006, p.225)

Mas como encontrar as condições para tomar decisões e como visualizar os resultados nos produtos?
Andrés apresenta então o MTD, Método Triádico do Design, um sistema fundamentado nos princípios de Charles S. Peirce no sistema de Vitrúvio. Na qual a interligação de três componentes construtivos cria o objeto, se separados, o objeto deixa de existir, mas essa inter-relação é abstrata e imperceptível ao público ou usuário, mas segundo Andrés devemos treinar nosso olhar.
Com o MTD devemos analisar os objetos em três zonas em separado, totalmente abstraídas: materialização, percepção e adequação.
Na segunda parte da disciplina apresentaremos o exercício de análise com o sistema triádico passado por Andrés, pondo em prática toda a compreensão da primeira aula.
Saímos de uma super aula com conceitos diferentes de metodologia, diferentes das tradicionais aulas, sem o preconceito de que a metodologia engessa o processo criativo, desfrutamos do conhecimento, simpatia e do engraçadíssimo portuñol de Andrés Parallada.

Que venha a segunda aula!

1 Resposta to “ [TURMA II] FUNDAMENTOS DO DESIGN DE PRODUTO COM ANDRES PARALLADA ”

  1. Clelia disse:

    Nestor, suas coloções estão á altura da riqueza de informações e reflexões que as aulas do Perrone nos provocam! Muito bom! Abçs.

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