OPORTUNIDADE: PROJETO COM FIBRAS VEGETAIS LEVA ALUNA DA PÓS AO CHILE
Rosane de Souza Pfitzer
de 04 a 11 de dezembro de 2008
ORBITATO é integrante de um projeto Ibero Americano para estudo de fibras vegetais com empregabilidade têxtil, que inclui a USP e mais 8 grandes instituições da Argentina, Espanha, Portugal, México, Peru e Chile, financiado pelo CYTED. O ORBITATO em contato com o CYTED, me enviou ao Chile e oportunizou o direcionamento de meu trabalho na pós-graduação, que é o de relacionar técnicas artesanais, fibras vegetais e desenvolvimento social. No dia 02/12/2008 Gastón Castro, pesquisador da PUC – Pontifícia Universidade Católica de Santiago do Chile para a área têxtil, integrante do Projeto Cyted, chegou à Pomerode, para conhecer a pesquisa sobre fibra de bananeira conduzida no norte de Santa Catarina. Além de apresentarmos Orbitato e sua estrutura funcional, Pomerode e sua cativante mescla sócio econômico cultural, tratamos de apresentar um panorama da indústria têxtil catarinense e depois, para apresentar o processo de obtenção da fibra de bananeira, levei-o à Corupá, onde artesãs trabalham em unidade organizada com o apoio da Epagri. Antes porém, paramos para uma boa feijoada com caipirinha. Encantamos o chileno! Em seguida foi minha vez. Chegando a Santiago no Chile fiquei impressionada com as grandes cadeias de Montanhas à volta da cidade, seus parques muito arborizados e visitados, com as pessoas passeando com os carrinhos de bebê ou seus cachorros, as poucas bicicletas (até porque o relevo não é muito indicado para os atletas de fim de semana) com a beleza, principalmente a arquitetura bem conservada. Além da PUC, representante oficial do CYTED, visitei a Universidade Del pacífico onde Alicia coordenada o Curso de Design Têxtil. Conheci outras professoras que trabalham na área de desenho de Moda e Têxteis, entre elas Pauline e Paula, e tive contato com uma paixão especial que são os teares, tanto manuais (redondo, quadrado, triangular, orquídea, mayas) quanto os de pedal. Trabalhei em vários deles inclusive utilizando as fibras de bananeira, que havia levado com esta intenção. Aprendi com Pauline a fazer o feltro com lã de ovelha e descobri múltiplas funções para esta matéria que não fazia muita parte do nosso mundinho.
Visitei a Feira Internacional de Artesanato, que existe há 35 anos, e tem como promotora a Universidade Católica do Chile, este ano montada no Parque Bicentenário na ¨Comuna de Vitacura em Santiago.São 135 estandes com representantes de 15 países latino-americanos e de diversas regiões do Chile. Eram trabalhos feitos em cobre, prata, pedras, madeiras e fibras como o mimbre (vime) e coirón ( fibra muito delicada, parecida com o tipo de trigo cultivada no RS que é utilizada para fazer bolsas e chapéus), crina de cavalo e muitos trabalhos têxteis em lã de ovelha, alpaca, wanako e vicunha. São artesãos simples que conversam, explicam e vendem bem o seu produto. Em um estande uma brasileira vendia suas rendas e distribuía sorrisos, os chilenos adoram nosso artesanato e nossas rendas, gostam da criatividade e do colorido, e descobri que adoram nosso sorriso também. Aliás, descobri que sorrimos muito. Na Universidade Católica, Gastón Castro me guiou e conversei com Soledad e Paulina Brugnoli, pesquisadoras do Museu de Arte Precolombino para peças têxteis. Conheci a Universidade e conheci projetos de alunos que também trabalham com fibras alternativas. Assisti a apresentação de uma aluna cujo trabalho pretende revitalizar os teares de uma região do Chile-INIO, e também o projeto com a fibra do Mahute que já havia visto da Feira de Artesanato, um projeto muito importante para a Ilha de Páscoa que depende desta fibra para a continuação de sua própria cultura. Visite a Rua Alonso de Cordova, no bairro Vitacura um dos mais importantes de Santiago. Me chamou atenção as vitrinas bem estudadas em prédios reformados e com cara de novo. Mas o interessante é que cada loja foi montada por dois ou três novos designers de Vestuário, acessórios, móveis e decoração… cada um vende o seu produto e um não interfere no produto do outro, dando assim oportunidade de todos mostrarem os seus trabalhos com um custo acessível, viabilizando o negócio de todos. Fiquei apaixonada pela idéia e meus olhos brilharam em pensamentos futuros. Afinal a viagem toda foi muito emocionante e proveitosa, mantive contatos com diferentes processos de pensar , mas que produzem muitas peças com muita criatividade e valorizando sempre a cultura local. Foi fascinante ver as índias Mapuches., enrolando os fios de lã, cardando e fazendo peças em pequenos teares rústicos, e perto dali uma Estilista recém saída da Universidade trabalhando em teares mais modernos, com tramas coloridas mas utilizando aquele mesmo principio. Também foi muito bom ver como os chilenos consideram os brasileiros pessoas afáveis, e como valorizam nossa criatividade e colorido natural. Reconhecem as nossas belezas e nosso artesanato. Aprendi a gostar mais daqui quando estava lá. Reconheci-me mais feliz, me vendo de longe.
www.puc.cl
style="font-family:verdana;font-size:85%;">www.upacifico.edu.py
O FUTURO É DAQUI HÁ POUCO
