[TURMA I] ONDE ESTAMOS – UMA REFLEXÃO

Posted by: on nov 20, 2008 | One Comment

Nem todos os dados de um processo são controláveis

por Celaine Refosco

É claro! A gente cuida do que pode. Quando construímos a pós da Orbitato fomos prudentes em todos os aspectos que estavam ao nosso alcance. Buscamos a Unerj para os aspectos acadêmicos. Instalações econômicas que nos permitissem investir no mais importante: os melhores professores. Buscamos os melhores professores. E também, não bastavam os melhores professores do ponto de vista técnico, mas que fossem profissionais qualificados nas suas ‘humanidades’, por assim dizer.

E mais, estes professores deveriam formar um grupo com pensamento alinhado, mesmo não concordando em todos os aspectos abordados, mas coerentes em pontos fundamentais. (Nem todos se conhecem, mas sempre os imagino reunidos, numa grande mesa, e tenho certeza de que a festa iria até muito tarde, caso acontecesse).

Também pensamos em estruturas de apoio, em oficinas bem equipadas, em aspectos documentais, em atendimento personalizado, em respostas rápidas. Consideramos ambientes agradáveis, em luz natural sempre que possível, em lugar para sujar sem medo quando necessário.

Pensamos em flores no vaso, em lanches gostosos e saudáveis, em comunicação eficiente para os trabalhos realizados.

Enfim, previmos o que podíamos e é claro, que apesar de querer muito acertar sempre podemos falhar, mas o fazemos honestamente, admitindo erros sem tapar sol com peneira nenhuma, o que faz parte da filosofia.

Há, porém, um aspecto que não estava em nossas mãos, e acerca do qual nada podíamos fazer: os alunos. Não é possível eleger ‘bons alunos’ como é possível eleger ‘bons professores’. Há apenas que se trabalhar com quem vem, mesmo que este grupo de pessoas não chegue a virar um grupo ao longo do processo.

Diálogo é uma coisa que sempre depende do outro, não é possível dialogar sozinho. Logo, sem um grupo que entenda e responda que esteja disposto a crescer e a mudar, que seja permeável, que queira melhorar, não há diálogo possível. Estávamos nas mãos do acaso embora tivéssemos sido diligentes com a construção.

E o acaso nos favoreceu! Somos imensamente gratos ao acaso pelas pessoas que ele nos trouxe. E pelo fato de que em pouco tempo essas pessoas, viram um grupo!

E já somos diferentes! Já nos transformamos, criamos laços, parcerias, empatias, melhores amigos, bolos, flores, abraços, lágrimas e sorrisos simultâneos, e gargalhadas, claro! E melhor, não só entre alunos, mas alunos e professores, integrados, fortalecidos, transformados, em transformação.

Quando o grupo da pós, com Sandra Harabagi como professora, encontrou o Ronaldo Fraga na pizzaria, ao final da aula da última semana, a estrela brilhou. Era este justamente o sonho: que as aulas ‘vazassem’ da sala de aula para a vida, favorecendo o encontro. Quando a Luján Camariere escreveu no Caderno 12 no início do ano, que a Orbitato seria a “Bauhaus da América Latina” fiquei surpresa. Agora, acredito cada dia um pouco mais, grata ao acaso que nos trouxe este grupo.

1 Comment

  1. Ana Luísa
    21 de novembro de 2008

    Lindo…que orgulho fazer parte de tudo isso!

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