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[TURMA I] SOMOS O QUE CRIAMOS

As ideias fervilham em nossas cabeças, desta vez, Leila Hort, aluna do Curso, também divide conosco sua conexão entre a aula de História da Imagem e a disciplina Revisões Críticas da Modernidade, tendo como base em sua leitura sobre : *O Efeito Multiplicador do Design. Aí segue:

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SOMOS O QUE CRIAMOS
por Leila Hort*

Em Relações Críticas da Modernidade, os caminhos apresentados pela professora Vera Hanna para nos apresentar as várias questões sobre o que compreende a definição da identidade, e a discussão sobre este tema, me remeteu ao livro sugerido na bibliografia do professor Carlos Perrone (História da Imagem): O Efeito Multiplicador do Design de Ana Luisa Escorel, que estou terminando de ler.

Nas primeiras páginas a autora questiona quais variáveis exercem influência na produção de resultados no campo do design gráfico especificamente. E que, segundo ela, está longe de nos refletir como nação.
Uma das justificativas apontadas para o estabelecimento deste cenário está na desinformação que envolve a atividade de design gráfico e o medo no novo. Segundo Ana Luisa, na contratação do trabalho costuma vir embutida a recomendação de que se siga um determinado modelo, conhecido, testado e aceito.
“Essa atitude exprime não apenas os vícios culturais de quem compra os serviços do designer, como também falta de confiança na capacidade de leitura simbólica do usuário. Ou seja, se por um lado o cliente do designer gráfico não costuma aceitar senão aquilo que valoriza culturalmente que já conhece e a que se habituou, por ouro, duvida dos recursos do público ao qual dirige seus produtos.”

Este tipo de pensamento age como freios à expressão, restringindo as possibilidades de quem cria. E o designer passa a ter com sua linguagem uma relação de excessiva prudência, tolhendo a própria criatividade.

É possível fazer relação do que a autora aponta sobre a atividade do designer gráfico, com a do criador de moda e sobre o papel destes criadores na construção da imagem da moda brasileira. Ampliar o pensamento e avaliar a própria produção deveria ser um exercício assumido por todos. Além do que, isto reflete o comprometimento com o trabalho e com o papel de agente renovador seja qual for o contexto.

E como é recebida a informação do novo? Segundo a Escorel (2004), no campo do design gráfico, há resistência à informação nova, e um forte apego à forma já testada. Para ela, esta acomodação repousa num certo desconhecimento de quais sejam os recursos e a natureza da profissão e também num forte sentimento de inferioridade, resquício colonialista que tende a valorizar o que se origina nas metrópoles.

Quem trabalha com criação e propõe novas informações calcadas na própria identidade criativa, certamente já se deparou com situações que refletem exatamente o que a autora elucida.

Como equacionar as expectativas do contratante e do contratado? A autora aponta uma direção:

“Daí a necessidade que o designer gráfico tem de desenvolver uma acuidade suplementar que o dote de um sistema de medidas interno, no manejo do qual os elementos com que constrói seu discurso possam ser calculados de maneira que o produto resulte harmonioso: nem muito carregado de informação a ponto de não poder ser apreendido, nem muito banal, a ponto de se dissolver no meio dos outros. Tanto melhor será o designer quanto mais hábil for no ajuste desse traçado, já que a abertura para o novo representa o compromisso com sua própria intuição e com direitos do usuário, enquanto um certo grau de redundância a condição para realizar e transmitir as informações contidas no trabalho”.

Podemos levar estas diretrizes também para a moda e trabalhar para que nossa habilidade em estabelecer caminhos sobre todas estas questões, resulte numa produção que nos represente como criadores com identidade e não somente como reprodutores de idéias já testadas.

E para reforçar este pensamento, e encerrar o texto, segue mais um parágrafo do livro que nos conecta diretamente com as questões ligadas com a identidade:

“O designer que iniciar a vida profissional atento aos componentes de sua personalidade estará mais propenso a ser um canal adequado para expressar a identidade de seu país do que aquele que tentar calçar a invenção com os traços próprios a indivíduos que estão integrados a experiências nacionais diferentes das suas”.

REFERÊNCIA: ESCOREL, Ana Luisa – O Efeito Multiplicador do Design – 3ª ed.- São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.

*Leila Hort é estilista com graduação em Publicidade e Propaganda e Curso Técnico em Estilismo. Atua em ateliê próprio e é responsável pela criação e desenvolvimento das peças da DataclipHits www.flickr.com/photos/datacliphits/ .

1 Resposta to “ [TURMA I] SOMOS O QUE CRIAMOS ”

  1. Flavs disse:

    Gostei disso, ao invés de querer mostrar o que a baiana tem, devemos mostrar o que somos na nossa individualidade.

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