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[TURMA I] REVISÕES CRÍTICAS DA MODERNIDADE

Núcleo Fundamentador – Aula V

Culturas e moda.
por Vinicius Schane

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
Fernando Pessoa


Partimos na aula dos dias 26 e 27 de setembro viajando pelo mundo, e identificado termos que estão relacionados à nossa pratica cotidiana, a nossa profissão e ao tear ou tecer de nossas vidas. Um pouquinho de cada um de nós foi revelado neste encontro na medida em que nos questionávamos sobre o que somos e como estamos constituídos em meio a este processo caleidoscópico de referencias culturais. Momento em que ampliamos o entendimento sobre as mudanças e as propostas catalogadas pelo tempo e pela formação ou transformação da identidade.
Compreende-se que as pessoas mudam com o passar do tempo mas suas identidades não. Os brasileiros mudaram, mas continuam a ser brasileiros, como os americanos, os chineses, os italianos. A identidade das pessoas pode assimilar mudanças sem perder a mesmidade. Assim, como a Identificação! “Eu me identifico com a aquilo a que eu pertenço”. Identificação significa pertinência, pertencer à, estar incluído nesta ou naquela comunidade, mesmo sem guardar com ela subjetividade.
Dissecando as palavras, construímos novos pensamentos e interações, novos conceitos sobre a maneira com a qual nos relacionamos com o mundo que nos cerca, com as culturas que nos compõe e acima de tudo, ampliamos definições para apropriadas leituras das referencias que nos são propostas por cada parte do mundo, por cada incrível detalhe que nos é deixado, por cada vestígio de nossa história, esmagada pelo processo mecânico da contemporaneidade.
Dentre textos, tramas, re-construímos a história da humanidade, que como fios no tear se dividem e se completam. Vivemos a influencia de um meio sem fronteiras, ou perdido dentre todas elas, criadas por divisões invisíveis que se estabelecem ou são derrubadas na medida em que entendemos a fundo os termos do texto – escrito ou imagético – traçados pela cultura, por essa nossa hibridização.
TEXTO
TEXTUS
TEXERE
TÊXTIL
TEXTURA
TEXTUAL
TEXTURIZADO

Cotidianamente somos submetidos, assim como com aos símbolos, a textos e as diversas maneiras de sua adaptação, que sem referencias de analises acabamos por deixá-los que escapem sem poder fazer deles mecanismos para continuarmos tecendo nossa trajetória, aqui ou ali. Aqui ou ali, também foram abordados através da mediação da Dra. Vera Hanna*, professora com a qual tivemos a oportunidade de curtir os conhecimentos práticos e científicos da teoria, do pensamento, que nos trouxe revisões antropológicas, sociológicas, históricas e culturais, que nos conectou com autores tão pouco revisados pela moda e pelo design. Vera, nos colocou de frente com a realidade palpável de nossas relações com as pessoas, com as identidades e com as culturas, afinal, a intenção do encontro era mesmo fazer “Revisões Críticas da Modernidade”.

Do Brasil ao Japão, percorrendo Kandahar, a colonização, o processo histórico da globalização, a identidade, a hibridização, a moda e os estudos culturais, rompemos com a dependência de nossos sentidos viciados.
Olhar aqui e ali com claridade, sem preconceitos, imaginando que as fronteiras são os lugares de intercessão que ampliam a mistura e a forma de criação de algo novo, munido de dois ou mais lados, compostos por duas ou mais histórias, vontades e saberes nos impulsiona a aprender constantemente, nos possibilitando imaginar novas relações para compreender a identidade, ou as diversas identidades que, no liminar do estudo, se encontram de maneira subjetiva, direcionando-nos ao saberes práticos e compreensivos de nós mesmos, e do outro, da profissão moda e deisgn, para então, criar novamente. Viajar assim, é Viagem!

* Vera L. H. Hanna, professora Adjunta do Departamento de Línguas Estrangeiras Modernas do Centro de Comunicação e Letras, e da pós-graduação Lato Sensu da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, Brasil. Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutorado na Área de Historiografia Lingüística no Programa de Estudos Pós-Graduados da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pesquisadora do IP-PUC/SP (Instituto de Pesquisas “Sedes Sapientiae” – da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Pesquisadora do CNPq no âmbito dos Estudos Culturais, Hibridismo Cultural, Ensino de Língua Estrangeira, dedica-se, também, à área dos Estudos Americanos e é presidente da ABEA (Associação Brasileira de Estudos Americanos). Atua como parecerista ad hoc de revistas científicas especializadas e é autora de vários artigos em anais e revistas nacionais e internacionais, assim como capítulos em livros.

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