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[TURMA I] REVISÕES CRÍTICAS DA MODERNIDADE

Especialmente escrito pela Professora Vera Hanna:

Hibridismo Cultural e o Tempo Tríbio

Antropólogos sociais, historiadores sociais, historiógrafos, pesquisadores dos Cultural Studies, como eu e aqueles que foram citados durante o Curso Revisões Críticas da Modernidade, além de compartilharem visões otimistas do Hibridismo Cultural, a partir de uma perspectiva da teoria cultural contemporânea, ligada aos movimentos demográficos que admitem o contato entre identidades dessemelhantes, justificam a idéia de movimento, de identidade móvel que abrange outras metáforas como a de viagem, de deslocamento, de nomadismo, de cruzamento de fronteiras. Destaco, ainda, que aquelas análises podem nos remeter, igualmente, à idéia de tempo tríbio do também sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre. Com olhos de século XXI – na visão tipicamente freyriana – reconhece-se o tempo como uma realidade dinâmica, que comprime os três tempos, de algum modo os funde, fazendo com que não exista somente o presente deste texto, mas pratique uma intersecção de passado, presente e futuro no imaginário tempo tríbio. Tempo tríbio, em que o presente se altera, fazendo com que o passado e o futuro sejam invariavelmente rearticulados.

Também por essa razão é que a sensibilidade historiadora se ancora no tempo, na inter-relação sempre mutante entre passado, presente e futuro. Não existe um passado fixo, idêntico, a ser esgotado pela história. As esperas futuras e vivências presentes alteram a compreensão do passado.

Cada um de nós, ao reconstruir narrativamente a história, de maneira conceitual ou documental, em um presente, está abarcando passado e futuro, que, por sua vez, reenviam-se um ao outro, são assimétricos, diferentes. Enfim, é assim, que a idéia de temporalização passa a tomar corpo e que nos leva a pensar que “não somos nem isto nem aquilo, mas isto e aquilo ao mesmo tempo”, como garante Derrida. Portanto, para além da condição de ambivalência, ser híbrido é ser também um terceiro, um Outro.

Profa. Dra. Vera L. H. Hanna

Centro de Comunicação e Letras

Universidade Presbiteriana Mackenzie

São Paulo – Brasil

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