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[TURMA I] COR NA MODA E NO PRODUTO

Núcleo de Experimentação – Aula VI

Cor é uma coisa tão importante que hoje “COR É PRODUTO”

Nem todos vêem a cor
Nem todos vêem a cor da mesma forma
Quem tem olho azul ou verde vê diferente?
Todos não sentem a mesma coisa ao ver a mesma cor
A cor tem memória
Nem sempre a memória tem cor
A cor lembra cheiros, sensações (isso é dado científico!)
Pode lembrar histórias imensas, em um segundo
Uma cor pode deixar uma pessoa triste
Uma cor pode dar medo
Pode deixar feliz também
E com muita freqüência, cor, dá saudade
Lembra os olhos de um, a fita dos cabelos de outra
Cor, com freqüência lembra flor
Flor sempre tem cor, mesmo quando é verde
Quando fechamos os olhos sob o sol, a cor que vemos é vermelho
Dizem, que na barriga da nossa mãe, víamos também, o mundo em vermelho
Quando fechamos os olhos na sombra, preto marinho, é a cor que vemos
Como a cor da noite
‘Noite’ e ‘sombra’ são nomes de cores
Da cartela da Suvinil
Tem muita cor no mundo hoje
Cor hoje é coisa fácil
A cartela tem mil cores
Antes, magenta era de cochonilha (besouro esmagado)
Azul de anil ou lápiz lázuli,
Preto, terra queimada
Vermelho, terra
Amarelo? terra também!
Mas o importante mesmo,
É que quando muda de lugar, de luz, de lado, de sentimento, Muda a cor!



E é por isso mesmo, que cor é uma coisa muito importante. Tão importante, que, sendo imaterial e imprecisa como descrito acima, também é produto, carro chefe de venda em inúmeros casos, e quase a totalidade do produto em muitos outros.
O que a Suvinil (e todas as concorrentes de nomes menos sonoros) venderia se não fosse a cor? E as polos da Lacoste?


Para debater tudo isso Sergio Gregório* foi o professor da disciplina Cor aplicada a Moda e ao Design e literalmente, coloriu nosso espírito. Apresentou-nos a cor para aplicação em produtos para moda e design e pode neste momento, nos prender ao seu olhar apurado. Elemento codificado que se define para além das formas e contextos. Sérgio destacou a cor pelo viés da criação, e buscou resgatar a reflexão sobre os fazeres esquecido pela mecanização do tempo, e assim, como com o processo da cor na aplicação da moda, que por muitos está restrito ao processo intuitivo, massacrado pela confusão estética e pela mesmice simbólica da tendência pré-estipulada, não revisada, viciada ou apenas mal interpreta.
A mesma cor que camufla, apresenta, distingue, iguala, a cor que se estabelece em todos os nossos momentos, no trabalho, na rua, em casa. E como usa-la, distribuí-la e pensa-la como produto nesta imensidão de elementos nos quais ela se manifesta? Muitos que controlamos, inúmeros fora do nosso controle? Foi por isso que testamos, misturamos e exercitamos o olhar e a construção e harmonização de cores, para assim, tentarmos ficar mais conscientes da possibilidade e da potência da cor, como emoção, e justamente por isso, como produto.


*Sérgio Gregório, especialista em cores, artista plástico, fez curso de Desenho em Lyon, na França, cursos no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e já realizou diversas exposições. Atualmente, dá aulas de desenho no curso de Negócios da Moda da Universidade Anhembi Morumbi. Possui graduação em Artes Plásticas pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (1978) , especialização em Padrões Gastronômicos pela Universidade Anhembi Morumbi (2006).


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