Shingo Sato: Sobre tentar e ter constância

Shingo Sato 1

                                                                                     Foto: William Bucholtz.

Aos 22 anos Shingo saiu de Tóquio para bater na porta do ateliê de Azedine Alaia, dessa experiência começou a desenvolver a TR Design, técnica de modelagem que ensinou no Orbitato em agosto

Como todo bom japonês Shingo Sato é disciplinado. Em um dos e-mails que trocava com o Orbitato, enquanto os detalhes do curso eram definidos, avisou que dispensava tradutores e que iria começar a estudar português. Faltava pouco mais de um mês para o curso.

Agosto chegou, e ele veio engolindo umas preposições e escorregando nos tempos verbais, mas falando bem. Até arriscava umas gírias e termos técnicos. E o que não sabia ia aprendendo com os estudantes, com muita leitura labial.

Essa constância em conseguir o que quer, ou pelo menos insistir bastante, deve ter começado muito tempo antes. Talvez tenha a ver com a educação japonesa, ou coisa de personalidade mesmo. No último dia que esteve aqui contou a história do começo da sua carreira, quando trabalhou na Maison de Azedine Alaia em Paris, que atesta essas teorias.

A história é assim: Shingo tinha 22 anos, e gostava muito do trabalho de Alaia, tanto, que resolveu mandar uma carta pedindo uma vaga de trabalho, que obviamente ficou sem resposta. Seguindo aquela história da constância e insistência, foi para Paris bater na porta da Maison. Carregava uns desenhos que tinha copiado de Azedine e não falava nada de inglês, francês, ou italiano – línguas que foi aprendendo no meio do caminho. “De alguma maneira fui aceito como assistente”.

Começou os primeiros meses de trabalho lavando pratos e fazendo café, já que não falava nada em francês. O trabalho com Azedine seguia até as 02h da manhã, e quando todo mundo ia para casa, o estilista continuava no ateliê, e Shingo seguia com ele. Vendo o estilista trabalhar, foi prestando atenção nos movimentos, e sabia o momento certo que Azedine precisava da régua ou ia usar a tesoura.

Depois de sete meses ganhou a primeira tarefa que consistia em descosturar um bolso. Assim como acontece nas histórias que aparecem nos livros, quando acabou, a campainha tocou, atendeu a porta e viu um rosto asiático familiar que demorou uns segundos para reconhecer. Era o estilista Kenzo, que foi visitar Azedine Alaia, e serviu de interprete em uma das primeiras vezes que conversavam sem mimicas ou desenhos.

TR Design

“Foi muito intenso. A partir dessa experiência de quatro anos em Paris comecei a desenvolver muitas coisas”. Entre elas estão a marca que leva o seu nome e motivo pelo qual ele fica seis meses em Tóquio, e a TR Design, técnica de modelagem e construção volumétrica que o faz passar os outros seis meses viajando pelo mundo. Em agosto esteve pela primeira vez no Brasil, ensinando no Orbitato para duas turmas de 15 pessoas.
“Do primeiro ao último momento dos dois cursos que ministrou, Shingo conduziu uma série de exercícios de construção formal, em ordem crescente de complexidade, mantendo todo o grupo em intenso exercício de concentração. Propiciou vivências, reflexões, descobertas, desconstruções simbólicas e construções materializadas”, conta Celaine Refosco, diretora do Orbitato.

Shingo defende a tese de aprender com os erros e não se importar com errar. Tentar caminhos alternativos, ir descobrindo coisas novas, até chegar a um trabalho que é só seu, que é mais ou menos a rota trilhada por ele. “Para mim é muito importante experimentar. A minha técnica é baseada em experimentação”, conta.

O modelista admite que ensinar não é uma tarefa fácil. Para ele, educação é um processo incessante onde é preciso descobrir métodos para passar a técnica aos estudantes e quando está dando aulas mais aprende do que ensina. Sobre os alunos da América Latina, diz que são muito mais curiosos e ambiciosos do que em outros lugares. E se para ensinar é preciso aprender de forma crescente e contínua, de constância Shingo entende.

 

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